Luiz Fernando - O Kong
Luiz Fernando “Kong” Oliveira(@luizkong) tem apenas 22 anos, mas carrega uma visão de mundo moldada por desafios, disciplina e uma relação profundamente pessoal com as artes marciais. Natural de São Vicente héteroe solteiro, no litoral paulista, ele encontrou na luta não apenas um esporte, mas um ponto de virada existencial. Entre lesões, limitações financeiras e batalhas internas, sua trajetória revela uma combinação rara de franqueza, resiliência e propósito. Mais do que falar sobre vitórias ou derrotas, Kong compartilha reflexões sobre identidade, dor, superação e o significado de lutar — dentro e fora dos tatames.
Como começou sua história na luta e o que te motivou a entrar nesse esporte?
Começou através de um quadrinho japonês chamado Kengan Ashura, que apesar de extraordinária, talvez seja a obra mais pura sobre combate.
Antes de se dedicar às lutas, o que você fazia e como era sua vida fora do esporte?
Costumo dizer que eu não havia vivido antes de começar as artes marciais. Eu tenho poucas memórias de 2020 para trás não por não lembrar, é por não ter. Não havia de fato hobbies, aventuras ou esportes. Eu me trancava no meu quarto pra escapar do mundo exterior e jogava videogame o tempo inteiro.
Mesmo conquistando vitórias e mostrando talento, você precisou parar por falta de patrocínio. Como foi lidar emocionalmente com essa situação?
Embora ter que trabalhar em um lugar que te consome 10 horas por dia e energia enquanto seu oponente pode ter algum auxílio que o permita somente treinar seja bem desvantajoso, eu entendo que é parte do jogo e eu adoro ser o underdog, o azarão. Meu problema é mais não poder tratar adequadamente minhas lesões. Eu tenho uma lesão degenerativa na área do manguito que demorei pra realizar os exames médicos, e quando realizei, foi com a ajuda da minha ex-namorada pelos valores astronômicos cobrados para às vezes só realizar uma ressonância. Inclui aí remédios e fisioterapia.
Eu sou um depressivo crônico, e 2020 foi marcado talvez pelo ápice disso onde eu, como alguém que sempre ficou trancado dentro do quarto jogando videogame sem aproveitar o mundo ou sequer criar memórias, percebeu que havia desperdiçado quase 18 anos de vida.
Um dos protagonistas é um idoso que foi pego pela “corrida dos ratos” e sente que desperdiçou a própria vida, o outro é um homem que apesar de não ter nada, tem a paixão por lutar, e somente isso basta a ele. Eu percebi acompanhando aquela história que eu não queria ser como o idoso e perceber tarde demais, então decidi tentar me descobrir justamente nas artes marciais, entrando assim primeiramente na Capoeira em 2021.
Olhando para frente, quais são seus planos e sonhos para o futuro, dentro ou fora das lutas?
Eu quero encontrar uma boa moça e constituir família, é meu maior sonho.
Como objetivo, eu quero conscientizar as pessoas do poder que elas podem exercer em cima do mal. Sempre gosto de citar quando um homem maior e mais forte do que eu atentou contra uma amiga minha e eu pude defendê-la justamente por esse modo de vida.
Quero continuar lutando porque eu amo e faço quase que puramente pela alegria que tenho em lutar. Vou também começar a produzir conteúdo pra falar sobre principalmente psicologia e filosofia, áreas que eu estudo bastante e acho que posso ajudar muitas pessoas com as lições que venho aprendendo da vida.




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